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domingo, 24 de abril de 2022

Necessidade de controle

Percebi que tenho uma grande necessidade de controle. É uma questão que já foi mencionada na minha terapia, porém não foi abordada tão a fundo e logo foi esquecida. 

Hoje eu tava vendo uns vídeos no tiktok e apareceu um em que a banda Paramore estava cantando o começo da música Last Hope:

"I don't even know myself at all/ I thought I would be happy by now/ But the more I try to push it, I realize/ Gotta let go of control/ Gotta let it happen"

Eu amo Paramore e conheço muito bem essa música. Mas de repente, naquele momento, uma ficha caiu. Tudo na minha vida gira em torno do controle. Eu tenho a extrema necessidade de ter o controle de tudo o que eu conseguir, e me torturo por aquilo que não consigo. A maior parte das minhas questões é por causa do controle que acho que preciso ter. 

Não manter uma constância em atualizar esse blog, que é algo que eu gostaria muito, é culpa da minha necessidade de controle. Outro exemplo: as vezes eu me impeço de ter alguns pensamentos só porque na hora eu não posso anotá-los. E ai, se eu não posso fazer isso, eu evito pensar(!!!) e deixar que minhas reflexões aconteçam pois preciso que elas ocorram no momento que eu quero. É exaustivo! 

Eu acho que preciso ter o controle de tudo, porque isso me faz ter a ilusão de que a minha vida está nos trilhos, de que é assim que precisa ser para que as coisas de fato aconteçam. Porém, querer estar no controle faz com que eu empaque. Na minha cabeça tudo precisa ser perfeito, as atividades que realizo no dia-a-dia, os horários, a forma como me relaciono com as pessoas... mas na realidade é bem diferente disso. E quando as coisas não saem como eu acho que deveriam ser, eu fico travada e ansiosa. E isso vai bem além de coisas e rotina, é algo que não me permite relaxar e afeta minhas relações e a forma como lido com as outras pessoas. A necessidade de controle me impede de fazer tudo o que me proponho. Eu sei que não existe perfeição, mas querer ter o controle de tudo é querer que tudo seja perfeito, e é ai que eu sempre falho. 

Eu não sou uma pessoa disciplinada, muito pelo contrário. Eu sou bem inconstante, e é muito difícil praticar o "feito melhor do que perfeito". Em algum momento da minha vida eu criei toda essa grande ilusão, e isso foi me moldando de forma rígida. 

Eu queria ter uma conclusão pra tudo isso, um fechamento, quem sabe até uma solução. Mas pensar assim sou eu voltando nessa ideia de controle. As coisas simplesmente são assim, e eu preciso reconhecer e abraçar. Hoje eu consegui perceber tudo isso de uma forma mais profunda como não havia acontecido antes, e agora eu acho que preciso pensar e digerir tudo. Está claro pra mim que eu sou uma pessoa controladora, mas ainda não está nada claro como posso mudar e evoluir em relação a isso. 

Eu refleti um pouco sobre essas coisas hoje, porém não consegui me expressar muito bem aqui. Mas ta tudo bem. Decidi que parte do meu processo vai ser tentar voltar a escrever sobre as questões que sinto, mas que na hora de colocar em palavras mesmo, da tudo errado e acabo desistindo.

"It's just a spark/ But it's enough to keep me going/ So if I let go of control now I can be strong"

Vou deixar aqui uma apresentação perfeita da banda cantando a música <3



sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Sobre quando eu desativei meu Instagram por um mês

Eis que eu desativei o Instagram, apaguei o app do celular e vivi a vida por um mês sem ele. O Twitter eu apenas parei de acessar mesmo e deletei o app do celular também. A princípio eu não sabia quanto tempo iria ficar sem essas redes (talvez o quanto conseguisse?) mas depois de quase duas semanas eu decidi que seria um mês. (pra deixar claro: eu gosto muito da internet, sou beeeeeeem viciada no Instagram, e uso muito o Youtube e Pinterest. Porém não considero esses dois último como sendo uma rede social.)

As expectativas que eu tinha ao desativar o Instagram era de que no começo eu sentiria bastante falta, mas que depois iria passar, e que eu iria ter um super tempo extra pra fazer outras coisas, ler, pensar na vida, sentir tédio, etc. Sendo que o tempo que eu tinha de tela no celular, e principalmente no Instagram, eram MUITAS horas no dia.

Porém, isso foi só a expectativa mesmo, a realidade foi outra. Não, eu não senti falta do Instagram em nenhum dia, juro! Nos primeiros dias eu tinha aquele impulso de abrir o aplicativo sem nem pensar, e ai me dava conta de que ele não tava lá e de como isso se tornou uma coisa automática. Mas também nesse processo, eu descobri que o buraco é muito mais em baixo. 

O grande problema não era o Instagram (que antes era o Facebook, que antes era o Orkut...) como eu pensava. O problema é todo o mundo de coisas que eu tenho na palma da minha mão a todo o momento, e a minha relação com isso. O vício do Instagram, que é grande, e que eu estava sem naquele momento, passou para o Youtube e o Pinterest. Não deu nem duas semanas eu eu já estava muito mais viciada nessas plataformas do que antes eu era. O que me fez ficar muito mais reflexiva sobre a complexidade disso ser muito maior do que eu pensava. 

Antes, a uns 10, 15 anos atras, a internet era um escape que tínhamos da vida. Hoje, a vida é o escape da internet (vi essa frase em algum lugar). A verdade é que antes a internet era um lugar mais leve no sentido de quantidade de coisas a serem consumidas, e pra ter o acesso a essas coisas, era preciso estar utilizando o computador. Eu pelo menos, nessa época, fazia isso por umas 1 ou 2 horas por dias, as vezes menos. Fora esse período, eu vivia a minha vida sem checar o celular, sem dar um scroll enquanto tava entediada ou esperando alguma coisa. Era eu, meus pensamento, e o mundo a minha volta. Eu tinha tempo pra sentir tédio e, pra através dele, acessar a minha criatividade e originalidade. E isso era muito especial, e foi isso que eu busquei achando que a solução era apenas me privar de usar o Instagram e ver no que dava. 

Eu descobri que é tudo muito mais complexo do que eu pensava, e provavelmente um processo de entendimento e aceitação da forma como tenho levado a vida e como tenho deixado isso tudo me afetar por tantos anos. 

Você talvez esteja se perguntando se depois que eu voltei com o Instagram o meu vício diminuiu ou se alguma coisa mudou. A verdade é que eu sinto que quase nada mudou. Continuo viciada, talvez um pouco mais consciente. Mas como eu disse, o problema não é o Instagram, e sim a forma como eu lido com o acesso na mão que tenho da internet e tudo o que ela proporciona.

É isso, não tenho uma conclusão, e nem muito mais o que falar. Eu poderia sim, falar por horas sobre esse assunto, e entrar em outras questões que nem sequer mencionei aqui, mas eu iria me estender muito e provavelmente muita coisa nem ia iria fazer sentido. Mas se você, como eu, gosta de falar e refletir sobre isso, comenta ou me chama pra conversar!

Até a próxima ;)